Assembleia geral da Campanha Salarial aprova propostas e aviso de greve

O Sindicato dos Metalúrgicos de Pindamonhangaba realizou na terça-feira, dia 1º de setembro, uma assembleia geral da Campanha Salarial 2026, que discutiu as propostas alcançadas na negociação entre a FEM-CUT/SP e as bancadas patronais e também decidiu o que fazer onde não teve proposta.
Em Pindamonhangaba, na Gerdau, Novelis, Tenaris Confab e GV do Brasil, que são as quatro maiores fábricas metalúrgicas da cidade, já ocorreram paralisações com adesão total dos trabalhadores, pela Campanha Salarial.
A categoria também é a que mais emprega na cidade, envolve cerca de 8 mil metalúrgicos, 20% de toda a mão de obra da cidade.
Mobilizações ocorreram por todo o Estado de São Paulo, inclusive em sindicatos de outras centrais sindicais, para pressionar as bancadas patronais.

As propostas negociadas pela FEM-CUT/SP (Federação Estadual dos Metalúrgicos) e sindicatos filiados com as bancadas patronais, chegaram ao reajuste de 5,4%, que garante reposição da inflação pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) e aumento real.
Os percentuais ainda não permitem definir exatamente o aumento real dos trabalhadores, pois o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) ainda não foi divulgado de forma definitiva para o período da campanha, o que deve ocorrer no dia 11 de setembro. Atualmente, o índice de inflação está em 4,32%.
Essa proposta foi alcançada nos seguintes grupos:
– G3 (Sindipeças, Sindiforja e Sinpa)
– G2 (Sindimaq e Sinaees)
– Sindratar
– G8.III (Sinafer, Simefre e Siamesp)
– Siescomet
Todos os acordos aprovados garantem ainda a manutenção das cláusulas sociais por dois anos, com validade até 31 de agosto de 2028.
No Sindicel, já havia um acordo do ano passado garantindo 1,2% de aumento real, além da reposição do INPC.

O presidente do Sindmetalpinda, André Oliveira, explicou que a negociação envolve empresas com diversas situações, muitas com grandes produtividades outras nem tanto, mas que o importante é o equilíbrio da luta sindical.
“O importante é saber como negociar com o coletivo. É por isso que tem um grupo, tem uma Federação que negocia com mais de 200 mil trabalhadores. E pela avaliação nossa, enquanto sindicato, enquanto federação, ter o aumento real garantido, ter uma convenção coletiva alcançada nesses grupos já é sim uma vitória e aqui em Pinda a gente segue em discussão com cada empresa, cada uma com sua realidade de produção e também sobre a demanda dos trabalhadores em cada uma delas”, disse.
André ressaltou também as conquistas de vale-alimentação nas fábricas.
“O vale-alimentação é uma proposta de algo que não tem uma legislação, não tem uma garantia em Convenção Coletiva. Tudo que já avançamos é conquista de lutas sindicais daqui, da nossa cidade, do nosso sindicato”, disse.
Porém, alguns grupos patronais não apresentaram nenhum reajuste. O que tem maior impacto em Pinda é o grupo do ramo do aço, chamado Sicetel, que engloba fábricas como a Gerdau, GV do Brasil, Cosmetal, entre outras.
Isso ocorreu nas seguintes bancadas patronais:
– Sicetel
– Sindifupi
– Siniem
– Grupo 10
O presidente do Sindmetalpinda, André Oliveira, reforçou a necessidade de mobilização nesses grupos.
“Não tem nenhuma proposta, zero proposta do grupo patronal deles. Nem das cláusulas financeiras, nem de renovação das cláusulas sociais, que é o direito dos trabalhadores. Aprovamos que a Federação entregue o comunicado de greve para esses grupos patronais, para a gente unificar as assembleias com os outros sindicatos e já vai o comunicado de greve para eles. Pode ocorrer de também do nosso sindicato protocolar algum comunicado de greve nosso, para reforçar e para englobar alguma situação a mais, como o caso da PLR na GV do Brasil, que negocia junto. O que importa é o trabalhador estar mobilizado e os patrões verem o potencial que a gente tem de brigar por algo, e tentar implantar para a gente conseguir fechar na base”, disse.
André também esclareceu sobre o prazo do comunicado de greve.
“Quando a gente fala do comunicado de greve, é importante que vocês sempre lembrem, é de no mínimo 48 horas, não tem uma obrigatoriedade de já ocorrer a greve assim que encerra esse prazo. A gente pode esperar uma semana ou mais, pode estar ocorrendo negociação nesse tempo. A gente pode ir por estratégia, às vezes ir negociando nas outras para ver se eles abrem uma negociação e colocam uma proposta diferente. E se lá na frente chegar no juiz a gente também pode mostrar que deu prazo para a empresa se manifestar”, disse.
Ao início dessa assembleia geral, o secretário geral, Marcio Fernandes, fez a leitura da convocação da assembleia, com todos os pontos de discussão.
Um desses pontos foi reforçar algo que já havia sido decidido em assembleias anteriores, que era a taxa negocial. Isso já havia sido discutido em uma assembleia no dia 19 de março, quando teve a discussão da pauta da campanha.
O Sindicato também garantiu o direito de oposição aos trabalhadores que não são sócios, inclusive colocou 10 dias de prazo para isso, que foi do dia 20 até o dia 30 de março.
Tudo isso foi feito com publicação de editais em vários canais da entidade. Aqui nesse link você tem a notícia completa dessa assembleia no site do sindicato: https://www.sindmetalpinda.com.br/assembleia-geral-aprova-eixo-da-campanha-salarial/
André Oliveira também ressaltou a transparência das deliberações da categoria.
“É importante dizer também que tudo que a gente faz na assembleia é respeitado. A nossa parte estatutária, com convocação com 72 horas de antecedência, publicamos em jornal, publicamos aqui em edital, nas nossas páginas. Então é importante que todos saibam que isso aqui não é uma brincadeira, que a gente faz do jeito que quer, não. A gente faz porque a gente tem que respeitar o estatuto, passar tudo certinho para os trabalhadores e nós enquanto sindicato vamos sempre para o debate”, disse.
Antes da votação, o sindicato também abriu espaço e tirou várias dúvidas de trabalhadores a respeito da Campanha Salarial.
O vice-presidente do sindicato, Odirley Prado, é membro da diretoria da FEM-CUT/SP juntamente com o secretário geral, Márcio Fernandes, esteve presente. A assembleia também contou com participação do Departamento Jurídico do Sindicato, com o advogado Marcos Gonçalves.
