Sindicalistas concluem curso Formação de Formadores

Sindicalistas recebem certificação do curso Formação de Formadores da Escola Sindical da CUT no dia 19 de setembro (Crédito Flaviana Serafim - Secom-CUT/SP)

Sindicalistas recebem certificação do curso Formação de Formadores da Escola Sindical da CUT no dia 19 de setembro (Crédito Flaviana Serafim – Secom-CUT/SP)

Dirigentes e lideranças sindicais de diversas categorias participaram no dia 19 da certificação da primeira turma do ano no curso Formação de Formadores (FF), na Cooperativa dos Trabalhadores/as do Instituto Cajamar (Cooperinca), berço histórico da formação de lideranças da CUT.

Três dirigentes de Pinda fizeram o curso: Celso Antunes, Herivelto ‘Vela’ e Luciano ‘Tremembé’.

O curso prepara os sindicalistas para atuarem como multiplicadores, levando as propostas e a concepção cutista a outros dirigentes nos sindicatos, subsedes e também à base dos trabalhadores/a.

Toda a proposta pedagógica dos cursos é baseada na metodologia construtivista e revolucionária de Paulo Freire, sobretudo os princípios da educação popular criada pelo pedagogo pernambucano. Nessa prática didática, o educando interage com a realidade, concebe seu próprio aprendizado e se liberta da opressão social, contrapondo o que Freire classificou como “educação tecnisista e alienante”.

“Nossa concepção se pauta pela construção coletiva, por meio de trocas de experiências organizativas e de conhecimentos com uma metodologia participativa. O saber adquirido pelos trabalhadores/as ao longo da vida vem contribuindo decisivamente para potencializar as ações frente ao desafio da organização sindical e das mudanças no mundo do trabalho”, explica Telma Andrade Victor, secretária estadual de Formação da CUT/SP.

Ousadia e compromisso

Na entrega dos certificados, o secretário Geral da CUT/SP, Sebastião Geraldo Cardozo, pediu ousadia aos formadores, pois, segundo o dirigente, sem incorfomismo não é possível transformar a sociedade.

“Se formos dar ouvidos e praticar ações sindicais somente dentro da legalidade, atuaremos só dentro do que prevê o grande capital, que é quem faz a leis em todo o planeta. O processo legalista nem sempre avança e tende a frear a luta da classe trabalhadora”, ressalva.

Na mesma linha, Sônia Auxiliadora, coordenadora da Escola São Paulo e secretária da Mulher Trabalhadora da CUT/SP, afirmou que o principal é olhar para as possibilidades de contrapor o que está posto. “É isso que faz a diferença nesse processo de formação, no cotidiano da prática sindical e nas táticas de cidadania”, avalia.

Os formandos, que agora fazem parte Rede de Formação da CUT, foram unânimes ao assumir como objetivo fundamental o compromisso de multiplicar a concepção do sindicalismo cutista.

“Hoje levo uma bagagem de mais conhecimento e integração para que eu possa ser mais atuante como conselheira em meu município e na região, além de poder levar mais informação a outros trabalhadores/as”, disse Joana Adelaide Dias, do Sindicato dos Municipais do Vale do Ribeira, que concluiu o curso de DPPAR.

Para José Celestino Lourenço, o Tino, secretário nacional de Formação da CUT, não é possível debater as políticas públicas de forma desarticulada e por isso a preparação voltada aos conselhos é tão relevante.

“As políticas públicas são fundamentais para disputar o poder e o desenvolvimento local. São estes espaços que permitem democratizar as decisões e ter mais controle social para intervir mais no orçamento a partir do olhar da classe trabalhadora”.

Fábio Cesar Ferreira, o Jabá, do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp), concluiu o curso de FF e destacou a importância de usar o conhecimento adquirido como caminho para aproximar a base das entidades sindicais. “Os funcionários do sistema prisional ainda precisam de esclarecimentos quanto à atuação sindical e à participação no Sifuspesp. A categoria tem que aprender e é papel do sindicato trazê-la para as reuniões, para as assembleias e mobilizações”.

Ferreira disse que o Sifuspesp fará um planejamento para dar continuidade à formação e espera que outros cursos de FF deem espaço também à presença de trabalhadores/as da base. “Só com a participação da categoria é que esse projeto dará certo”.