Contra demissões, greve continua na Volks em Taubaté e começa na Mercedes-Benz no ABC

Em assembleia nesta segunda-feira (24), trabalhadores na Mercedes no ABC decretaram paralisação por tempo indeterminado. Na Volkswagen, movimento completa uma semana.

Trabalhadores na Volks de Taubaté estão em greve faz sete dias (foto Walter Faria - Sindmetau)

Trabalhadores na Volks de Taubaté estão em greve faz sete dias (foto Walter Faria – Sindmetau)

Nesta segunda-feira (24), a paralisação dos metalúrgicos na Volkswagen Taubaté (SP) completa sete dias. A decisão de cruzar os braços e também entrar em greve por tempo indeterminado foi tomada em assembleia nesta manhã pelos trabalhadores na Mercedes-Benz de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Os dois movimentos são uma resposta às demissões anunciadas pelas duas montadoras. No caso do ABC, os trabalhadores souberam das dispensas via telegrama.

A Mercedes não divulgou o número de demissões. “Tem companheiros que começaram a receber os telegramas, mas a empresa informou que terá uma segunda parte sem informar quantos serão”, afirmou o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Sérgio Nobre, trabalhador na Mercedes e secretário geral da CUT. “Será um processo forte de luta até que a empresa revogue a decisão e todos os companheiros voltem a trabalhar”, acrescentou.

Na semana passada, depois de dois dias de negociação, a Mercedes não concordou em aderir ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE), por considerá-lo insuficiente. A empresa insistiu em proposta apresentada em julho, e rejeitada em assembleia, que previa redução de jornada e salários, diminuição de reajuste já previsto e congelamento de promoções. “Estamos certos de que a adoção do PPE é suficiente”, disse Nobre.

Já a paralisação na Volks teve início na última segunda-feira (17) após 50 funcionários do primeiro turno receberem as cartas de demissões. Nesta terça-feira (25), o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté terá a primeira audiência de conciliação com a montadora no Tribunal Regional do Trabalho, em Campinas. “A empresa descumpriu um acordo assinado em 2012 ao demitir os 50 metalúrgicos. A Volks continua intransigente e não quer negociar. A greve vai continuar até que os trabalhadores sejam atendidos”, afirmou o presidente do Sindicato, Hernani Lobato.

Em assembleia, trabalhadores na Mercedes decretaram estado de greve (foto Adonis Guerra)

Em assembleia, trabalhadores na Mercedes decretaram estado de greve (foto Adonis Guerra)

Solidariedade Internacional
Nesta segunda, os metalúrgicos das duas montadoras receberam a solidariedade de entidades internacionais.

Em nota, Dennis Williams e Gary Casteel, presidente e secretário de Finanças do sindicato dos trabalhadores na indústria automotiva dos Estados Unidos – United Auto Workers (UAW) -,  se solidarizaram com os trabalhadores na Volks de Taubaté. “Compartilhamos sua luta pela preservação do emprego.  Esperamos que esta negociação possa ocorrer com espírito de responsabilidade e de respeito mútuo”.

Já os metalúrgicos na Mercedes receberam uma carta de Solidariedade do Comitê Mundial dos Trabalhadores na Daimler. De acordo com o documento, as “demissões em massa não se justificam. Problemas estruturais ou conjunturais precisam ser resolvidos de forma socialmente responsável. Essas demissões não são socialmente aceitáveis, e eles devem ser imediatamente canceladas. Nossos companheiros grevistas brasileiros contam com nossa irrestrita solidariedade”.

GM
Já os trabalhadores da General Motors (GM) em São José dos Campos (SP) aceitaram o acordo que adia as 798 demissões na unidade e encerraram uma greve que já durava duas semanas. O acordo, feito após audiência na Justiça do Trabalho na última sexta (21), foi aprovado em assembleia nesta manhã (24). Com a aprovação do acordo, a fábrica voltou a operar nesta segunda, mas os 798 funcionários que seriam demitidos terão os contratos suspensos por cinco meses, no sistema lay off.

(Fonte: Assessoria de Imprensa da CNM/CUT, com informações da Rede Brasil Atual)