Pinda participa da primeira Marcha das Mulheres Negras em Brasília

Mais 20 mil mulheres, trabalhadoras do campo e quilombolas participaram do evento

Foto: Lula Marques

Foto: Lula Marques

Milhares de mulheres negras trabalhadores da cidade e do campo, quilombolas, indígenas e yalorixás abriram a primeira edição da Marcha das Mulheres Negras, em Brasília, e denunciaram na capital federal a intolerância religiosa e o racismo. A atividade aconteceu nessa quarta-feira, dia 18.

As metalúrgicas da FEM-CUT/SP também foram em peso participar da mobilização. “Estamos marchando para dizer basta à intolerância e ao retrocesso”, destacou a Secretaria da Mulher da FEM, Andréa Ferreira Sousa.

Para a diretora do Departamento da Mulher do Sindicato dos Metalúrgicos de Pindamonhangaba-CUT, Maria Auxiliadora, que também participou da Marcha das Margaridas, o evento se tornou um marco. “A mulher negra mostrou para o Brasil e para o mundo que não vai mais ficar no silêncio aguentando tanta opressão. É um grito de basta”, disse.

Diante do Congresso Nacional, mesmo com provocada dos golpistas que pedem a volta da ditadura militar e estão acampados na Esplanada dos Ministérios, a marcha não se intimidou e seguiu em resistência.

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O evento teve início às 9h, no Ginásio Nilson Nelson, e seguiu até o Congresso Nacional. Eram turbantes, tranças e as cores da África que marcavam a identidade da manifestação e ajudavam a dar corpo ao grito pelo fim do extermínio da juventude negra, contra a maioridade penal, pelos direitos das mulheres e por mais políticas públicas voltadas para negras.

A marcha também homenageou importantes personalidades negras como Dandara, Zumbi dos Palmares, Nelson Mandela, Carolina de Jesus, Lélia Gonzalez. Na parte da tarde, as mulheres ocuparam o Congresso Nacional aos gritos de “Fora, Cunha”.

Durante o percurso, as mulheres negras seguiam cantando música afro e reverenciando suas ancestralidades em defesa da cidadania. O evento também protestou contra os projetos de lei que restringem os direitos das mulheres, sobretudo das negras, de autoria do presidente da Câmara Nacional, Eduardo Cunha. “Ô Cunha, cadê você, eu vim aqui só pra te prender”, “ai, ai, ai, ai, empurra o Cunha que ele cai”, fazia parte do coro da manifestação.

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Sobre a Marcha

A Marcha das Mulheres Negras é uma iniciativa de diversas organizações, entre elas, a CUT e coletivos do Movimento de Mulheres Negras e do Movimento Negro, além de contar com o apoio de importantes intelectuais, artistas e ativistas.

Com informações da Agência de notícias da FEM-CUT/SP.

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