Metalúrgicos da CUT aprovam reivindicações da Campanha Salarial 2015

Dirigentes definiram em Plenária Estatutária da FEM-CUT/SP que vão negociar com os patrões: “Nenhum Direito a Menos e Mais Avanços Sociais”

Foto Nayara Striani-Mídia Consulte

Foto Nayara Striani-Mídia Consulte

A Campanha Salarial dos metalúrgicos da CUT no Estado de São Paulo começa forte. A data-base é 1º de setembro e estarão em Campanha cerca de 210 mil metalúrgicos e metalúrgicas de seis setores em todo o Estado. No sábado (13), a Federação dos Sindicatos Metalúrgicos da CUT (FEM-CUT/SP) realizou Plenária Estatutária que aprovou as bandeiras de lutas e o novo formato de organização neste ano.

Cerca de 150 dirigentes de 14 sindicatos filiados lotaram o auditório da FEM, na sede da entidade, em São Bernardo do Campo. A mesa de abertura reuniu lideranças do ramo metalúrgico, como os presidentes da CNM/CUT, Paulo Cayres, da CUT/SP, Adi dos Santos Lima, da FEM, Luiz Carlos da Silva Dias, o Luizão, o Secretário Geral da Federação, Adilson Faustino, o Carpinha, e a Secretária da Juventude da FEM, Gláucia Letícia dos Santos.Todos enfatizaram que a conjuntura econômica difícil exigirá de todos os sindicatos força e unidade para vencer os obstáculos das negociações e conquistar bons acordos.

O diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, fez uma análise da conjuntura usando como clichê a linguagem futebolística, ao dizer, que os sindicalistas têm que entrar em campo com um time forte, organizado para criar condições para estimular o desenvolvimento industrial.

“O Brasil é a sétima maior economia do planeta de um país capitalista, portanto, tudo o que fazemos aqui tem impacto. Nossa economia está sendo influenciada pela crise internacional e tudo está travado. Os empresários não estão investindo e nós precisamos entrar no jogo e fazer com que eles voltem a investir. A economia, para voltar a crescer, precisa de uma indústria forte”, frisa.

Ele defendeu uma agenda pesada de inovação, educação, um câmbio favorável ao desenvolvimento industrial e uma aliança do capital com o trabalho para reduzir a taxas de juros no Brasil, que a classificou como um “escândalo”.

Cláusulas sociais

Neste ano, as cláusulas sociais serão o destaque da Campanha. Durante a Plenária Estatutária, a Secretária da Mulher da FEM-CUT/SP, Andréa Ferreira Souza e o assessor jurídico da Federação, Raimundo Oliveira, apresentaram as mais de 30 contribuições que vieram das Plenárias Regionais realizadas em Monte Alto, Itu e Taubaté que propõem melhorias nas cláusulas pré-existentes (que estão em vigor nas Convenções Coletivas de Trabalho) e a inclusão de novos direitos.

“Negociaremos com seis bancadas patronais. Queremos uniformizar as nossas cláusulas pelo que temos de melhor em cada grupo. Exemplo é a Licença em caso Aborto, que temos em todos os grupos, porém, a melhor redação é o do G3 (Autopeças, Forjaria e Parafusos) que assegura a licença médica por qualquer tempo necessário a sua completa recuperação, sem prejuízo da função ou do direito de férias. Proporemos às demais bancadas, que adotem essa redação do G3”, explica Andréa.

Oliveira destacou a importância da juventude metalúrgica. “65% dos trabalhadores metalúrgicos na base da FEM são jovens. Uma das cláusulas novas propõe a criação de um quadro de carreira especial aos empregados com idade entre 18 a 30 anos, com uma promoção de cargo e salário. Essa cláusula contribuirá para combater a alta rotatividade e estimular o jovem a seguir carreira na fábrica, que será bom para o jovem e para a empresa”, explica.

Bandeiras de Lutas

Os dirigentes aprovaram todas as sugestões de pautas e definiram as seguintes bandeiras de luta: a redução da jornada de trabalho sem redução no salário; a reposição da inflação e aumento real; a unificação e valorização dos pisos e a valorização das cláusulas sociais. Também incluíram no slogan da Campanha: #Nenhum Direito a Menos e Mais Avanços Sociais.

O presidente da FEM-CUT/SP, Luiz Carlos da Silva Dias, Luizão, disse que será levado para as mesas de negociações o sentimento do chão de fábrica. “Não vamos baixar a guarda. Tudo o que conquistamos até hoje não foi bondade dos patrões, mas fruto da nossa luta e do suor de todos nós. Temos que ser a locomotiva do movimento sindical para buscar ganhos, além do aumento real, mais direitos sociais”, salienta.

Foto Nayara Striani-Mídia Consulte

Foto Nayara Striani-Mídia Consulte

Assembleias, Lançamento e Entrega de pautas

Outros encaminhamentos aprovados pelos dirigentes são a realização das assembleias nas bases, que apresentarão as pautas aos trabalhadores, que deverão acontecer no período de 15 a 30 de junho.

O Lançamento deste ano será diferente: A FEM e os sindicatos filiados farão grandes atos/assembleias em quatro regiões: ABC paulista; Vale do Paraíba; Noroeste/Centro e em Sorocaba, que acontecerão do dia 29 de junho a 2 de julho. “Objetivo é politizar as cláusulas sociais nas portas das fábricas e mandar um recado para os patrões de que queremos avançar nesta Campanha”, diz Luizão.