Metalúrgico sofre acidente em setor crítico da Gerdau de Pinda

Há 8 meses sindicato denuncia excesso de jornada na aciaria

O vice-presidente André Oliveira - Andrezão, durante paralisação em novembro, que já protestava contra o excesso de jornada na aciaria

Paralisação em novembro já protestava contra o excesso de jornada na aciaria; ao microfone, o vice-presidente Andrezão

Nessa quinta-feira, dia 6, um acidente ocorreu na Gerdau de Pindamonhangaba, no setor de aciaria, um dos que mais tem recebido críticas do Sindicato dos Metalúrgicos.

Segundo o dirigente Nilson Conceição – o Nilsão, por volta das 18h um operador estava ajudando a colocar a corrente em uma peça do forno, quando o gancho da ponte rolante desceu e atingiu o trabalhador. Ele foi socorrido pela equipe médica da fábrica e conduzido ao Hospital 10 de Julho. O metalúrgico sofreu fraturas no tornozelo. O sindicato continuará acompanhando a investigação da causa do acidente.

De acordo com o vice-presidente do sindicato, André Oliveira – Andrezão, há oito meses o sindicato vem denunciando condições inseguras na aciaria. “Muitos trabalhadores têm sido submetidos a jornadas de 12 horas por vários dias. Desde novembro, o sindicato cobra que a chefia da aciaria pare de pressionar os operadores a trabalharem durante o horário de refeição, e ainda hoje se vê funcionários comendo apenas um lanche no pé da máquina”, disse.

A cobrança pela compra de novos potes de escória, que transportam metal líquido, também não tem recebido atenção por parte da empresa. Os potes que restaram já passaram do prazo de vida útil. Nessa quinta-feira ocorreu mais um vazamento. Por sorte, não atingiu ninguém.

QUEDA DE CILINDRO

Na quarta-feira, dia 5, um incidente de alto risco ocorreu na UTT. Uma das máquinas de usinagem de cilindros travou. Na hora que o operador foi ver o que estava acontecendo o cilindro, que pesa de 8 a 10 toneladas, caiu da máquina. Por sorte, caiu do lado oposto ao do trabalhador.

O suporte do cilindro, já desgastado, fundiu junto com ele e não suportou o peso. Não teve como o operador saber disso porque esse torno não tem o sensor (célula de carga) que avisa. A área tem cinco máquinas como essa, chamada torno de desbaste, mas apenas três delas tem esse sensor. A área também sofre com falta de investimento em manutenção preventiva, tanto de maquinário quanto de troca regular de óleo nas máquinas. Também há problemas com excesso de jornada.

Nilsão, dirigente sindical na aciaria, em um dos protestos na portaria da Gerdau

Nilsão, dirigente sindical na aciaria, em um dos protestos na portaria da Gerdau