Metalúrgicas aprovam diretrizes do 2º Encontro e participação na Marcha das Mulheres Negras

Foto: Reunião do Coletivo de Mulheres da FEM-CUT/SP (crédito: Mídia Consulte)

Foto: Reunião do Coletivo de Mulheres da FEM-CUT/SP (crédito: Mídia Consulte)

A reunião periódica da Secretaria da Mulher da FEM-CUT/SP aconteceu de forma diferente na terça-feira (12). Sindicalistas de várias regiões do Estado acompanharam a 2ª rodada de negociação da Campanha Salarial da Federação com a bancada patronal do Grupo 8 (que reúne as empresas nos setores de trefilação, laminação de metais ferrosos; refrigeração, equipamentos ferroviários, rodoviários, entre outros), realizada na sede do Sindicato das Empresas de Trefilação do Estado de São Paulo (Sicetel), na FIESP. “Foi uma estratégia para elas verem que a negociação da Campanha Salarial não é diferente do que acontece no dia a dia nas fábricas. Queremos que elas participem das próximas e contribuam”, conta a Secretária da Mulher da FEM, Andréa Ferreira Souza.

A sindicalista relata que a experiência foi muito boa e mostra que é fundamental estar preparada e municiada com dados e informações para se contrapor ao discurso patronal. “É comum os representantes das empresas defenderem seus interesses, alegando que os direitos representam ‘custos’. Nós rebatemos, salientando que as empresas têm que cumprir seu papel social, porque ao investirem em melhores condições de trabalho, reduzirão seus custos com ações e ainda melhorarão a produtividade de seus trabalhadores”, explica.

À direita, a dirigente sindical de Pinda, Maria Auxiliadora, da Confab Tubos (Crédito Mídia Consulte)

À direita, a dirigente sindical de Pinda, Maria Auxiliadora, da Confab Tubos (Crédito Mídia Consulte)

Propostas

Após a rodada com o G8, as sindicalistas fizeram a reunião do Coletivo de Mulheres, na FIESP, e aprovaram um documento com propostas do 2º Encontro de Mulheres Metalúrgicas da FEM-CUT/SP, realizado no dia 22 de maio, que tratou o tema “Trabalho Compartilhado com Saúde e sem Dependência”. “Queremos levar o debate da dependência química e do trabalho compartilhado para todos os sindicatos filiados e chão de fábrica. Este é o primeiro passo: sensibilizar homens e mulheres. Também proporemos atividades relacionadas à mulher, visando atraí-las para o sindicato. Desta forma debateremos nossas pautas de reivindicações, não somente no mês de março, mas no ano todo”, comenta Andréa.

Marcha das Mulheres Negras

Outro encaminhamento aprovado na reunião do Coletivo foi a participação das metalúrgicas na Marcha das Mulheres Negras, que terá uma edição nacional em 2015. A caminhada acontecerá no dia 13 de maio – data que marca a abolição da escravatura no Brasil e o Dia Nacional de Denúncia do Racismo — em Brasília e destacará o tema “Contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver”.

Andréa disse que as mulheres metalúrgicas assim como participaram da Marcha das Margaridas, em 2011, também estarão nesta bela atividade. “Nós mulheres negras estamos no rodapé da sociedade. E no nosso ramo elas são boa parte oriundas do chão de fábrica. Agora teremos a oportunidade de participar de uma Marcha específica e denunciar à sociedade que as mulheres negras continuam ganhando menos e têm, assim como as brancas, maiores dificuldades em alcançar nos cargos de chefia. Aproveitaremos para divulgar as nossas bandeiras de lutas”, relata.

Dados e bandeiras da Marcha

A realização da Marcha foi aprovada no dia Internacional da Mulher Afro-Latina e Afro-Caribenha, comemorado no dia 25 de julho, durante o Festival Latinidades 2014.

As mulheres negras são 49 milhões, 25% da população brasileira. A violência está entre os maiores problemas enfrentados pelo grupo social, junto com acesso à saúde de qualidade, liberdade e respeito ao culto de divindades de matriz africana.

A Marcha também vai defender a titulação e garantia das terras quilombolas; o fim das revistas vexatórias em presídios e as agressões sumárias às mulheres negras em casas de detenções; e a investigação de todos os casos de violência doméstica e assassinatos de mulheres negras, com a punição dos culpados.

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Fonte: Viviane Barbosa, da Redação FEM-CUT/SP