Cresce participação das mulheres no ramo metalúrgico no Estado de São Paulo

Agora elas representam 17,4% na base da FEM-CUT/SP e estão inseridas até na indústria pesada, segundo Maria Auxiliadora, diretora do Departamento da Mulher do sindicato

Ao centro, Andréa Ferreira junto às diretoras do Departamento da Mulher, Maria Madalena e Maria Auxiliadora, em um dos encontros de mulheres realizados na sede do sindicato

Ao centro, Andréa Ferreira junto às diretoras do Departamento da Mulher, Maria Madalena e Maria Auxiliadora, em um dos encontros de mulheres realizados na sede do sindicato

A participação das mulheres metalúrgicas no mercado de trabalho vem crescendo a cada ano no Estado. Na base da Federação dos Sindicatos Metalúrgicos da CUT (FEM/CUT-SP), elas aumentaram de 16,69% em 2013 para 17,4% em 2014, totalizando 43 mil. Os homens lideram com 205 mil. Os dados são do Ministério do Trabalho e Emprego, RAIS 2013 e CAGED 2014.

O estudo foi divulgado nesta quinta-feira (5), em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, que será celebrado no próximo domingo 8 de março, e foi elaborado pela Subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese) da FEM-CUT/SP e CNM/CUT.

Gráfico Evolução da participação das mulheres.1

Segundo a autora, a economista Caroline Gonçalves, apesar da evolução da mulher dentro dessa atividade antes exclusivamente masculina, a luta por melhores salários e oportunidades iguais às dos homens continua. “A inserção, cada vez mais crescente, da mulher no mercado de trabalho ainda vem acompanhada de uma divisão sexual do trabalho, baixos salários, dificuldades de promoção na carreira e poucos cargos de liderança. Sem falar do assédio moral que ainda se faz uma realidade constante”, explica.

As mulheres da base da FEM/CUT-SP têm mais tempo de estudo que os homens, 23,4% delas possuem no mínimo graduação de nível superior, enquanto os homens apenas 13,8% possuem ensino superior completo.

Na base da FEM/CUT-SP, as mulheres recebem em média 29,6% a menos que os homens. A maior diferença também se encontra no Grupo 2 (Máquinas e Equipamentos; Eletroeletrônico), onde elas estão concentradas, chegando em média a 32,9%.

De acordo com o Departamento da Mulher do Sindicato dos Metalúrgicos de Pindamonhangaba-CUT, uma das fábricas que tem grande participação de mulheres é a Oversound, que faz parte do Grupo 2. “Nas fábricas do setor de eletrônicos a gente vê mais contratação de mulheres, mas o interessante é que temos visto mais mulheres na indústria pesada também, que é predominante em Pinda. Eu mesma já lixei muito tubo na Confab. E o legal é a gente ver como tem crescido a mobilização dessas mulheres”, disse Maria Auxiliadora, diretora do departamento.

Desafios e Conquistas

Segundo a Secretária da Mulher da FEM-CUT/SP, Andréa Ferreira Souza, os dados são animadores, mas é preciso avançar no trabalho de conscientização sobre a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. “A pesquisa mostrou a elevação da escolaridade em relação aos homens, porém, em comparação aos salários, ainda ganhamos menos. Para tentar mudar essa realidade, convencionamos uma cláusula que incentiva a valorização do trabalho da mulher, bem como a sua preparação para ocupar de cargos de chefia nas fábricas. É um avanço, mas precisamos fomentar mais o diálogo com as empresas”, salienta.

A sindicalista destacou que, ao longo das últimas campanhas salariais da FEM-CUT/SP, as metalúrgicas conquistaram melhorias nos direitos sociais. Alguns deles são: a ampliação da Licença-Maternidade para as mães biológicas e adotantes; a função compatível à condição física da gestante na fábrica; proteção, assistência social, orientação jurídica e afastamento compensáveis para as empregadas que forem comprovadamente vítimas de violência doméstica ou familiar; garantias em caso de aborto e etc.

Veja abaixo mais detalhes do estudo:

Gráfico Evolução da participação por grupos

Gráfico escolaridade por gênero

Gráfico remuneração por gênero